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Aurélie D´Incau, quero presente instinto cebola, quero!
quinta-feira, 3 de março, 2022

MAKING OF #7 Aurélie d´Incau (Luxemburgo)

quero presente instinto cebola, quero!

3 mar/ 19h00
Cisterna FBAUL
Convidamos  7 estudantes da Faculdade de Belas Artes de Lisboa e 7 pessoas de fora da FBAUL, para participarem no making of # 7 – com Aurélie d’Incau. Com a participação de Carlos C. Schnurres e Roberto Álvarez Gregores.

Apresentação da performance de Aurélie d’Incau

(Intervalo para descrição de um filme, questão paralela ao texto de divulgação de Aurelie d’Incau.)

«Solaris é um filme de arte de ficção científica soviético de 1972 baseado no romance de 1961 de Stanisław Lem. O filme foi coescrito e dirigido por Andrei Tarkovsky, e conta com a participação de Donatas Banionis e Natalya Bondarchuk. A banda sonora eletrónica, interpretada por Eduard Artemyev, conta com uma composição de J. S. Bach como tema principal. O enredo concentra-se numa estação espacial que orbita o planeta fictício Solaris, onde uma missão científica parou porque a tripulação de três cientistas começou a sofrer crises emocionais. O psicólogo Kris Kelvin (Banionis) viaja para a estação para avaliar a situação, mas encontra os mesmos fenómenos misteriosos que levaram os outros tripulantes ao ponto de rutura psicológico. O filme foi a tentativa de Tarkovsky de trazer uma nova profundidade emocional aos filmes de ficção científica; ele via a maioria das obras ocidentais do género como superficiais devido ao seu foco na invenção tecnológica.»

Esta é a descrição do filme Solaris de Tarkovski na Wikipédia.

(Fim de intervalo que era a descrição de um filme.)

A performance que o projeto Galeria Ana Lama irá apresentar a seguir é de Aurélie d’Incau (Luxemburgo) e vai ser filmada na Cisterna da Faculdade de Belas-Artes.

Aurélie d’Incau estudou filosofia política e belas-artes, e tem vindo a investigar pedagogia. As suas propostas são uma soma destes interesses.

As performances de Aurélie d’Incau estão centradas no conceito de ludicidade. Aurélie leva a ideia da brincadeira ao limite, através do envolvimento do público. Este interage com os seus objetos instalativos. Muitas vezes, abre a narrativa plástica das suas performances a mudanças que acontecem por ação dos participantes.

Palavras de Aurélie d’Incau: «O meu trabalho é uma pesquisa sobre a vida em comunidade (empatia), sobre aquilo que partilhamos (identidade) e como mantemos essa comunidade (ética, regras). Consequentemente, ao longo do meu trabalho, pretendo integrar a própria essência da arte como ferramenta de criação de consciência no quotidiano.»

Para o conseguir, envolve o público na criação ou destruição das suas peças materiais, incorpora o público na narração de histórias, enquanto personagens ou na qualidade de contadores de histórias.

Na sua forma de operar, a função das instalações e a criação de lugares ganham contornos de ambiguidade, criam uma espécie de câmaras ou salas da mente onde as imagens se tornam físicas, assim organizando ficção, verdade e memória.

(Outro intervalo para descrição de um filme sem relação com este texto de divulgação.)

(Fim de intervalo sem descrição de filme nem de autor.)

Cria também diversos alter ego que usa nas performances e instalações, mas que ao mesmo tempo ganham vida própria no Instagram, um dos personagens é @carlos.c.schnurres.

No Instagram (por exemplo), Carlos apresenta-se a eleições, candidato à autarquia de Lisboa (cidade onde agora está alocada). E a sua máxima é: Nem de esquerda, nem de direita, para cima!

Além desta imagem que nos sugere Carlos como político, existem aí muitas outras imagens de Carlos, uma espécie de manequim de pano que retrata o seu quotidiano em múltiplas paisagens.

Aurélie d’Incau parece explorar com estas figuras a dicotomia entre animado e não animado, real e virtual, natural e artificial.

A escultura-manequim de Aurélie, o Carlos, possibilita a observação do que é aparentemente inanimado (sem o parecer) nas redes sociais, explorando esse corpo distanciado — humano, caricaturado. Esse corpo é-nos dado então como uma metáfora, como uma experiência social.

O manequim candidato à autarquia experimenta deste modo uma dinâmica de teatro material da política, evocando os mesmos meios de autopromoção a que esta recorre. Interage nas redes sociais com a complexidade com que atualmente autoconstruímos identidades — de forma virtual. Acompanha esta fabricação numa cultura de espaços digitais, num meio onde muitas vezes o digital representa mais do que a vida real.

Carlos C. Schnurres, aparecerá na performance de Aurélie, sábado.

A título de curiosidade, e para termos uma noção do impacto do seu trabalho nos novos media, Aurélie d’Incau foi convidada por Elon Musk, em 2017, para realizar uma performance sobrevoando a Lua numa nave espacial, no que podia ter sido, talvez, o primeiro Dispositivo Performativo Realizado em Órbita.

Sabemos que não aceitou porque achou que seria um exagero e um desperdício de meios.

Ana Lama

Singapura, 21/1/2022