GAL..lery apresenta Fake Extreme Art
Nuno SilasMonumento Zea
Sábado, 22 de outubro, 2022

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BREVEMENTE 

Nuno Silas

Monumento Zea

A Galeria Ana Lama apresenta o 2º ciclo Fake Extreme Art em diferentes lugares da cidade de Lisboa.
A performance do artista Nuno Silas, com a participação de Sin Wah Lai, será realizada no Quartel do Largo do Cabeço de Bola em parceria com o @largoresidencias.
Making of #11 com o título “ Monumento Zea”, será uma ação feita ao mesmo tempo para um público presente e para as câmaras, tendo João Ramos como realizador convidado, que fará o registo e edição vídeo da performance, para ser posteriormente exibida em formato digital na website da Galeria Ana Lama.
 
A entrada no evento é livre e sujeita a RESERVA

Hoje em dia, a expressão «o rei vai nu» já não tem o impacto que teve noutros tempos, nem já a nudez é um tabu, nem, por outro lado, a distinção entre mais ou menos roupa importa como demonstração de poder aquisitivo. É comum ver histórias caricatas sobre os monarcas na «imprensa» online.

Atacadores passados a ferro, pastas de dentes já nas escovas e tampas de sanitas especiais: as exigências mais insólitas.

Esta é uma parte da descrição de uma notícia sobre os hábitos caricatos de um monarca da atualidade, numa revista online, de 13 de setembro de 2022, postada às 16h52.

Aqui, o que me chamou a atenção foi a questão dos atacadores.

A minúcia da coisa tem que ver com a questão de alguém passar os atacadores a ferro, os atacadores dos sapatos de outra pessoa.

Ao fazer uma pesquisa no vasto mundo da Internet, poderá encontrar vídeos e tutoriais relativos a diferentes formas de atar os atacadores dos seus sapatos. Umas mais simples, outras mais criativas e outras incrivelmente complexas: há, certamente, um pouco de tudo!

É um caso caricato, mais uma das notícias que nos chegam diariamente — notícias que deambulam entre o humor e alguma perversidade.

O evento que aqui apresentamos consta de uma performance ao vivo, de Nuno Silas.
Os atacadores passados a ferro não me saem da cabeça.
Nuno Silas explora a relação entre os media, identidade e história, e pretende questionar as definições da arte. A sua prática abrange instalações, pintura e filmes, e usa a performance para criar ou reconstruir uma mensagem artística, uma espécie de realidade pessoal. Nuno Silas nasceu em Maputo, Moçambique, e vive entre a Alemanha, Moçambique e Portugal.

O seu trabalho explora e investiga a negritude, o que implica representar a experiência negra, propondo um reflexão sobre elementos físicos, psíquicos e políticos da sua condição, e tem criado obras capazes de levar a refletir de uma maneira imaginária, simbólica, propondo, muitas vezes, ideias de asfixia, trauma e poder.

O artista utiliza a fotografia e a pintura nas suas obras também como processos artísticos — recorre a alguns destes elementos nas suas instalações e performances. Interessa-se pela arte conceptual e não por questões técnicas. No fazer, há uma interação constante entre sentimentos e representação, e utilizam-se diferentes componentes experimentais que permitem representar qualquer textura das realidades circundantes que configuram a nossa sociedade.

Ao observar o trabalho de Nuno Silas, é possível identificar ideias associadas à repetição do «eu». Nas suas obras, recria frequentemente a sua própria imagem, mas esta imagem, diga-se, nem sempre o representa a si próprio. Por exemplo, criou com um conjunto de 50 fotografias — um mural. O projeto começou com um autorretrato, uma experiência: autorretratos que mostram uma espécie de reconstrução, e utilizou a sua impressora como scanner e uma caixa sobre a mesma impressora. As imagens daí resultantes são a preto-e-branco, apesar de nelas aparecer alguma cor. O autor diz-nos que estas imagens já não lhe pertencem. Neste estudo sobre uma determinada ficção, as fotografias são também um espelho daqueles que as observam.

Diz Nuno Silas: «Sendo assim, em minhas obras reflito sobre o processo de resistência e negociação do espaço, não como ativista, mas como artista, questionando as razões pelas quais a fenomenologia das pessoas negras é frequentemente associada à luta por algo, cercada por uma atmosfera de incerteza. E às vezes meu trabalho trata de sentimentos representacionais imaginários. Às vezes tento evitar pensar de mais, uma vez que trabalho com impulsos interiores — refotografia, sobreposição, pixelização do meu retrato — para criar camadas e representações visuais associadas a um senso de desejo, de corpos asfixiados e ocasionalmente de forças espirituais que operam dentro dos corpos.»

Há notícias que nos fazem sofrer, e depois há outras notícias que capitalizam o sofrimento ao contrário, promovendo a abstração mais inútil na indústria do entretenimento. Um exemplo: parece que há um jogador de futebol de uma das melhores equipas do mundo que não sabe atar os sapatos e joga sempre com os atacadores desapertados, sem se importar com isso, não por superstição, para lhe dar sorte, mas porque, com 17 anos, não sabe mesmo atar os sapatos.

No projeto Galeria Ana Lama, Nuno Silas colabora na apresentação da próxima performance, com o título Monumento Zea, com a artista multimédia Sin Wah Lai. A artista é natural de Hong Kong. A sua prática artística assume principalmente a forma de colagem, instalação multimédia, performance, experiência interativa e projetos socialmente comprometidos.

Nuno Silas já viveu em vários países e continentes, e isso molda a sua prática em relação às técnicas que explora.

O ciclo organizado pela Galeria Ana Lama acontece num formato misto, presencial e online, entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023. Terá seis eventos com a participação de artistas internacionais; cada evento conta com uma apresentação de performance ao vivo, que será registada, filmada, em tempo real e posteriormente apresentada também digitalmente no website da Galeria.

Isto é um aparte… A direção deste projeto, e aqui dou-me como culpada, sente-se perplexa porque a curadora à qual o projeto presta tributo, Ana Lama (eu), performers convidados e realizadores, está sempre a criar condicionantes e rótulos, para obrigar os intervenientes a não fazer o trabalho livremente. Ana Lama (eu) tenta condicionar no sentido de se criarem peças históricas ou peças parecidas com peças históricas. Por exemplo, diz que o objetivo dos filmes (que depois estarão disponíveis na Internet) é executar um cinema de vanguarda, num esforço de superação dos estereótipos do cinema comercial, e atingir o uso livre dos meios de expressão cinematográficos. Quero que os filmes no final saiam assim ao estilo do grupo Fluxus, coisas já montadas em 1962, para aí há mais de 60 anos, coisas feitas por George Maciunas em Nova Iorque, filmes feitos por uma rede transdisciplinar de artistas que, na esteira de Marcel Duchamp e John Cage, pretendiam propor o que acreditavam tratar-se de um novo vínculo entre arte e vida. A Ana Lama (eu) acha que estes filmes Fluxus são bastante atuais e podem ser copiados de forma que se percebam as transformações históricas e que ajude a romper o modelo compositivo do cinema de vanguarda, e obriga-os a discutir sempre três (3) ideias principais para a realização. Estas ideias são: o monoformismo, a partitura de acontecimentos e o ambientalismo.

Mas, claro, a direção do projeto não aceita prisões formais de nenhuma espécie que recaiam sobre os intervenientes.

A performance do artista Nuno Silas, com a participação de Sin Wah Lai, será realizada no Quartel do Largo do Cabeço de Bola. Será uma ação feita ao mesmo tempo para um público presente e para as câmaras, tendo João Ramos como realizador convidado, que fará o registo e edição vídeo da performance.

O simples facto de não se saber atar os atacadores, como foi explicado pelo treinador de uma das maiores equipas de futebol do mundo, explica-se assim: o tal jogador de 17 anos teve problemas a aprender a atacar os cordões dos sapatos enquanto crescia e adquiriu o hábito de jogar com eles desatados.

Após um empate, 1–1, num encontro muito disputado com a equipa X em dezembro de 2021, no qual o jogador desempenhou um papel de liderança, o treinador explicou: «O jogador joga com os atacadores desatados desde muito novo, e isto porque não sabe atá-los bem. Ele não sabe, não se importa e joga assim.»

Zea, como uma espécie de relva domesticada pelos povos indígenas na Mesoamérica na Pré- História, é semelhante a uma ideologia partilhada que hoje em dia tem sido distribuída e aplicada a nível mundial entre os seres humanos.

Na peça Monumento Zea, a apresentar em Lisboa no próximo dia 22 de outubro, os artistas irão demonstrar múltiplas camadas e atmosferas, sons e montagens de vídeo experimental, cruzando-se com objetos encontrados e material de arquivo, numa tentativa de resgatar memórias involuntárias e de violência.

Esta será uma peça performativa exploratória que vai inventar rituais e manifestações, histórias sobrepostas de identidades e de poder, numa transformação que trata das questões intangíveis e do mundo concreto, cruzando-se com narrativas e representações pessoais.

Vindos dos costumes e fluxos ritualísticos, as recitações, os rastos invisíveis e as condições xamânicas regressam sob a forma de um eco ou de uma escultura. Os artistas propõem uma reflexão sobre o mundo em que vivemos — o futuro e o presente —, em diálogo com a perceção interior e exterior.

E agora uma possível pauta de acontecimentos futuros para o performer:

Nuno Silas não usa cordões nos sapatos e encomenda os cadarços a um monarca europeu — os tais atacadores mandados passar a ferro — via departamento da comunicação dessa instituição. Encomenda os atacadores de um rei, os atacadores que este usa ao longo de dez (10) anos. Depois de estes estarem usados, o artista fica com eles e utiliza-os numa das suas instalações performativas imersivas, a realizar na Tate Modern de Londres.

Ana Lama, Ilhas Caimão, 12/10/2022

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