Galeria Ana Lama

GAL..lery apresenta Fake Extreme Art
Vera Icon, Killing Daddy
Sábado, 4 de setembro, 2021

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vera icon

Killing Daddy

Vera Icon, alter ego de David Trullo, apresentou “Kiling Daddy” no Clube Atlético de Arroios em Lisboa. Uma ação próxima ao Cabaret/Music Hall, onde fez lipsync de três canções, dedicadas cada una delas aos grandes pais da arte contemporânea.  A edição vídeo baseou-se nos registos feitos em tempo real, com sobreposição de apontamentos ao plano da imagem, grandes legendas coloridas em neon: notas do pensamento de Vera Icon sobre o que estava a acontecer no momento da performance e que brincam com a reflexão conceptual que faz sobre as vanguardas artísticas, questionando (talvez) o culto das referências e pondo em jogo as estruturas de poder implícitas no sistema artístico.

 

2021
22:54 min
Cores

Vera Icon é uma misteriosa curadora de arte e uma artista insondável. A partir do material de pesquisa que recolhemos sobre Vera Icon, percebemos que pretende corporizar a frustração, a tentativa de superar a sensação de esgotamento que é pensarmos que nada está realmente a mudar no mundo, apesar das poderosas ferramentas contemporâneas de que dispomos.
Vincent van Gogh nasce em 30 de março de 1853 em Zundert.
A curadora “Vera Icon” recupera a figura do anti-herói. Uma espécie de resistência no seio do sistema intelectual e artístico, alguém que se encontra no meio das categorias conhecidas e que não se deixa codificar.
Pablo Picasso nasce em 25 de outubro de 1881 em Málaga.
Em Vera Icon, a postura em tudo o que faz leva-nos a pensar as relações entre cultura popular e alta cultura. Leva-nos a pensar os aspetos transversais à criação contemporânea (comunicação, crítica, relevância, difusão, mercado), aspetos que ganham relevo nas suas conferências-performance, e de uma forma que consideramos crítica.
David Trullo nasce em 1969. Em Madrid. É um artista visual.
De entre os seus méritos, destacamos o ter estado em residência no Museu Irlandês de Arte Contemporânea (2002), além de ter sido selecionado para a Contraluz Internacional Trienal de Fotografia, em Tampere, Finlândia (2005).
No seu trabalho de fotografia e vídeo são recorrentes os temas identidade de género e exploração dos usos da iconografia. David Trullo ocupa-se frequentemente de temas ligados à História da Arte, temas que reorganiza. Um exemplo: expôs no Museo Lázaro Galdiano de Madrid (2006) o seu projecto “Coined”, uma série fotográfica composta por retratos de amigos e conhecidos, todos representados de perfil, à maneira dos imperadores romanos. Nesse projeto, evoca as medalhas e moedas comemorativas dos imperadores. Os 96 retratos que expõe correspondem ao número de imperadores – de Augusto a Rómulo Augusto.
A performance que realizou em Lisboa, “Killing Daddy”, evoca vultos das vanguardas artísticas, questionando (talvez) o culto das referências e pondo em jogo as estruturas de poder implícitas no sistema artístico.
Numa tentativa de melhor explicar o seu trabalho, decidimos aqui ensaiar a descrição de uma das suas curadorias-performáticas de 2017, que acaba num happening rural.
Vera Icon, em 2017, seguindo o polémico caso “Os artistas e o carro de Alprazolam na Quinta dos Alhos…”
Sabemos que a produção de garlic requer esforço. A produção de alho depende muito da quantidade de água (no caso, de este ser demasiado regado ou ter falta de rega). Por exemplo, se se notar a presença de folhas murchas a meio da temporada, tal pode simplesmente significar que o garlic está com sede e precisa de um pouco mais de humidade. Para resolver esses problemas, deve regar-se com cinco centímetros de água pelo menos duas vezes por semana, e também deve ser observado que as plantas mais escassamente regadas tendem a amadurecer mais cedo.
Mas avancemos para o famoso caso dos artistas na Quinta dos Alhos.
Em Friburgo, na Suíça, numa quinta com alhos, artistas perderam a sua produção num acidente. O caso foi intensamente tratado nos meios de comunicação social. Um doente psiquiátrico reincidente, ao volante de um carro de branding com publicidade ao ansiolítico Alprazolam, estragou toda a produção! O homem também sofria de um agravamento da sua doença mental… Um episódio caricato.
O carro destruiu toda a produção, destinada à venda.
O alho era mais um elo na cadeia de produção da quinta, com a qual, ao modo dos Jardins de Epicuro, os artistas produziam hortícolas para diversificar fontes de rendimento.
– Artistas do caso do caralho!?…
“Jävla artister”, em sueco. A expressão, jocosa, acabou por se tornar na definição do sucedido.
Não tem piada nenhuma.
“Carro de Alprazolam esmaga toda a produção de alho em projecto de autogestão entre artistas”… Alprazolam, um fármaco usado em casos de distúrbios da ansiedade e em crises de agorafobia.
Artistas ficaram com a produção de alho destruída porque um carro de promoção ao Alprazolam invadiu, desenfreado, os seus terrenos agrícolas.
– Isso já foi dito!
Vera Icon trabalhou na produção de happenings rurais, com este conceito de artistas do car (carro) al (Alprazolam) lho (alho) – “Jävla Artister” (forma como designou o happening).
Com estes happenings, artistas e curadora evocavam o falo, a destruição das suas referências artísticas simbolizadas no alho, ao mesmo tempo que reivindicavam a invisibilidade do seu trabalho nas tais comunidades. A idea era criar um choque linguístico entre terapia natural e terapia química, evocando-se um carro de Alprazolam e as Comunidades de Artistas.
Simulavam-se nesses happenigs, inspirados num acontecimento real – um teatro de metáforas, com os carros com branding de Alprazolam a escavacar produções de alho.
Tornou-se uma moda, uma espécie de modalidade desportiva: dava-se um nome de um artista de referência a uma produção de alho, punha-se esse nome numa tabuleta no terreno e, depois, de uma forma iconoclasta, com um carro, destruíam-se os campos que se tinha lavrado e plantado com alhos.
Em 2017, Vera Icon urdiu um plano curatorial em comunidades de artistas rurais.
“Killing Daddy” é uma performance mais intimista e introspetiva.

Ana Lama, Liechtenstein, 22/08/2021.

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