Galeria Ana Lama

GAL..lery presents Fake Extreme Art
Helge Meyer, As long as I love you
Saturday, Octover 30, 2021

 

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BREVEMENTE ESTREIA ONLINE

HELGE MEYER

As long as I love you

The performance As Long As I Love You, took place in the car park of Prata Riverside Village, in Lisbon. The video directed by Sousa Haz, applies simultaneous windows that scrutinize the dense moments and physical limits proposed by Helge Meyer. The synchronization of voices, sounds and gestures in the editing also amplifies the scenes of kitsch humour and tragedy.

 

2021

15:50

colours

Helge Meyer apresentou uma performance no ciclo Fake Extreme Art.

Este ciclo pretende apresentar arte estimulante e de vanguarda, mas – e também esclarecendo o uso do termo fake – pretende enfatizar que, quando se propõe arte, não nos dispomos a apresentar objetos categóricos, antes pelo contrário, é proposta uma arte experimental e que funciona com dúvidas.

Helge Meyer formou os grupos de performance System HM2T, com Marco Teubner, em 1998, e desde 2000 está associado aos Black Market Internacional. É um performer que nasce na Alemanha e que já a apresentou o seu trabalho na Europa, Ásia, Canadá, América do Sul, Austrália e EUA.

Helge Meyer, quando realiza performances a solo, usa muitas vezes imagens de dor e sofrimento. Estas imagens são recriadas pela transformação do corpo a partir de pequenos elementos, ou sugeridas com impressões em folhas, e funcionam como metáfora para o conteúdo sobre o qual quer falar. Pode ser um conteúdo muito pessoal, ou social ou político. Uma das características importantes das suas propostas artísticas é a Colaboração. O humor surge em momentos inesperados e frequentemente o público funciona como um coautor.

A questão da dor é trabalhada como sensibilidade comum, trauma e transcendência.

“O meu principal objetivo é encontrar um nível de comunicação real entre os seres humanos”, diz-nos.

Há dor no nascimento de uma criança ou de uma estrela!

“Por detrás da Alegria e do Riso, pode haver um temperamento vulgar, duro e insensível. Mas, por detrás do Sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do Prazer, a Dor não tem máscara. A verdade na Arte não é a correspondência entre a ideia essencial e a existência, acidental; não é uma semelhança da forma com a sombra, ou da forma espelhada no cristal com a própria forma; não é o poço de água prateada existente no vale que mostra a Lua à Lua e Narciso a Narciso. A Verdade, na Arte, é a unidade da coisa consigo própria: o exterior tornado expressão do interior: a alma incarnada: a união do corpo com o espírito. Por esta razão, não há verdade que se compare com o Sofrimento. Às vezes, o Sofrimento parece-me ser a única verdade. Outras coisas podem ser ilusões dos olhos ou do apetite, feitas para cegar um e enfartar o outro, mas foi do Sofrimento que as palavras foram feitas, e há dor no nascimento de uma criança ou de uma estrela.”

Oscar Wilde, no livro De Profundis, relata quase de forma iniciática o valor da Dor aquando da sua prisão, devida a um escândalo social encenado em que foi acusado de sodomia.

“Tentei aqui colocar uma notícia de política aleatoriamente, de um jornal, para criar mais estranheza neste texto, mas acabei por não conseguir utilizar nenhuma notícia (havia alguma coisa sobre o Orçamento de Estado, que não era muito objetivo).”

Há dor no nascimento de uma estrela?

É espantosa, e uma coincidência histórica, a relação que Helge Meyer tem com Portugal através de Mário Cesariny. Situação de que poucos têm conhecimento. No ano 2000, Cesariny decide extrair os seus últimos três dentes, para se livrar da dentição, justificando que assim se sentia melhor e que tal condição se adequava ao seu estado de alma e à sua idade.

Havia uma linha do tempo que via como sua – uma eternidade não mastigadora. O encontro do homem com o mundo, que ocorre dentro da boca aberta – esta mordaz e despedaçadora boca, mastigadora boca.

A boca é um dos mais antigos e importantes objetos do imaginário e do pensamento humano. O homem prova o mundo, experimenta o mundo comendo-o, introduzindo-o dentro do seu próprio corpo, tornando-o parte de si mesmo. O encontro do homem com o mundo no ato de comer é alegre, triunfante; o homem é ávido e triunfa sobre o mundo, devorando-o sem ser devorado.

Triunfo que Mário Cesariny, em determinada altura, pôs de lado. A sua tinha sido uma boca arregalada de dentes grandes e brancos, uma boca dedicada à poesia.

Helge Meyer, grande amigo do poeta, símbolo maior do surrealismo português, quando soube que Cesariny se ia ver livre destes dentes, propôs, como tributo, um transplante dos mesmos.

O dentista que supervisionou esta transformação entre dois performers foi Wolf Vostell, dentista e também reconhecido colecionador de arte.

Estamos convencidos de que foram mesmo Helge e Mário Cesariny que cumpriram esta troca de dentes, numa espécie de relato continuado, geracional, que eleva um ato de grande coragem corporal, um ato poético que emerge e enfatiza o desgaste do corpo pela idade. Temos a certeza quase absoluta de que foi assim que se passou…

Sabemos que a extração dentária pode ser um procedimento que assusta um pouco. Dentes são séries, módulos de transformação de energia – o testemunho e a velhice. A passagem de testemunho. Sonhar com dentes.

Helge Meyer arranca assim três dos seus dentes bons e recompõe a boca com os dentes de Cesariny.

Mário Cesariny de Vasconcelos foi poeta e pintor. É de destacar também o seu trabalho de antologista, compilador e historiador das atividades surrealistas em Portugal. Conhece André Breton em 1947. Rapidamente atraído pelas propostas do movimento surrealista francês, torna-se um dos mais importantes defensores do movimento em Portugal.

Helge Meyer apresentou uma performance em Lisboa, e lembrem-se: é o único performer a ter três dentes verdadeiros de Mário Cesariny.

Ana Lama
Letónia, 2021

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